Vidas - idas e vindas



Quantas vidas
estão brotando agora?

E quantas
estão indo embora?

Para que uns tenham descanso,
outros têm de vir para trabalhar.

É preciso dar corda aos relógios:
o tempo não pode parar.

Estranho Eu






O eu que me acompanha
é o meu segurança.

Ele cuida da minha aparência
dos meus compromissos
das minhas finanças;

ele me dita
os passos e o ritmo
da dança
no salão social.

Mas, mesmo assim,
olho com desconfiança
esse eu – no íntimo –
estranho de mim.

Palavras








Palavras

palavrões

palavrinhas,


suas putas!


Donas da noite:


minhas rainhas!

A formiga



Uma formiga

passeia sobre a mesa

diante de mim

pequenina e indefesa

em busca de si,

ou só de alimento?



Tenho impulso de matá-la,

mas suspendo o dedo

a tempo...



Talvez o senhor da morte

faça comigo o mesmo

neste momento.

Birra






O menino
                   - birrento  -

queria porque queria
tirar a casca fria
                   do vento.


O Amigo








O menino,
                    brincando,

inventa o amigo
que precisa
e põe a mão de brisa
no ombro de sua sombra.





Peças





O poema
é jogo de montar
a esmo:


o leitor, co-autor,
tem de buscar as peças

em si mesmo.