Estes sapatos
que me levaram
a tantos encontros,
ao trabalho
a festas, a salões de danças
a lojas e mercados,
estes sapatos velhos,
de tantas andanças,
agora pedem descanso?
Estes sapatos
que me foram leves e macios
que me calçaram esperanças
e alegrias
que me atravessaram noites e dias;
estes sapatos
que calcaram no passado
rastos de
nostalgia...
Estes sapatos
que sempre souberam sair
e voltar para casa,
às vezes com pequenos tropeços
mas sem grandes percalços;
estes sapatos
que não me deixaram descalço
e me protegeram de pedras e espinhos,
que nunca me desencaminharam,
que me foram fieis aos pés,
que não pisaram em falso,
que evitaram incertos caminhos...
Estes sapatos
agora velhos e
cansados
querem ser guardados?
Querem ser jogados fora?
Não!
Esses sapatos
querem autonomia,
querem amarrar seus cadarços,
e sair por aí
criando seus novos caminhos
dando seus próprios passos.
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