Oh! Como em mim eu quisera
apanhar uvas na vinha
madura de tua espera
para o vinho de tua vinda.
E quando enfim tu viesses:
a boca ávida de sedes,
os olhos tenros de messes,
plenos de sonhos e flertes,
talvez nem mesmo eu soubesse
que a noite seria clara
em finos lençóis de lua.
Oh! a beleza se veste,
se penteia e se prepara
para se dar toda nua.
Caminhada
Para o Jorge Ferreira
Era madrugada
e Deus dormia.
Havia lua no céu...
Ao longo da estrada
o silêncio chovia.
Pingava luz
do seu chapéu.
A MARIA
Eu amaria a Maria
se a Maria me amoriasse
se a Maria me amariasse
se a Maria me amaciasse
com o fofo dos seus beijos
no duro da minha face
eu moraria com a Maria
se a Maria comigo se amasiasse
eu dormiria com a Maria
se a Maria me acordasse
eu me perderia com a Maria
se a Maria me achasse
eu pecaria com a Maria
se a Maria me perdoasse
Ah! eu comeria a Maria
se a Maria fosse alface.
se a Maria me amoriasse
se a Maria me amariasse
se a Maria me amaciasse
com o fofo dos seus beijos
no duro da minha face
eu moraria com a Maria
se a Maria comigo se amasiasse
eu dormiria com a Maria
se a Maria me acordasse
eu me perderia com a Maria
se a Maria me achasse
eu pecaria com a Maria
se a Maria me perdoasse
Ah! eu comeria a Maria
se a Maria fosse alface.
A Vida
A vida
é o que não demora:
intento
que se inventa
e aflora
e esplende
e explode
uma gota
de vinho
e sonho
na boca
fulva da hora;
A vida
é o uivo o eco
a uva
o fluido lastro
que se amassa,
o úmido mosto
de que se destila
o ávido gosto do agora;
A vida é o que
se degusta e vigora
e de tanto gosto
se assusta e se devora.
O Menino
O menino em mim
ainda se comemora:
há um gosto de vento
nos ombros,
um cheiro de amoras
no tempo,
um engenho de sonhos
nos olhos.
Uma varanda
namora o silêncio
das horas que caem.
O menino em mim
ainda cresce
e me leva embora.
Trem
O amor
é um trem de desejos
um trem antigo,
antigo demais
que vem carregado
de sonhos, de sonhos...
e de queijos
lá de Minas Gerais.
Imitando Quintana
que aí estão
a chover praga
no verão do meu ninho,
a esses
não lhes digo nada
eles desandarão,
eu andorinho.
Alienação
Eu até quis ser marxista,
mas desisti
quando percebi
que pela política
o mundo não tem conserto.
optei pela arte
e fui ao concerto de Mozart.
Filosofias Chocantes
Quem nasceu primeiro:
Deus o ou tempo?
A galinha ou o ovo?
A noite choca o dia?
O velho choca o novo?
A pergunta choca a filosofia.
A resposta cisca o chão
e bota ovo à revelia.
O gavião come a cria.
O Gato Quântico
O gato quântico
solta-se do gato
romântico
que há em si...
desdobra-se
num salto elástico
e descobre-se
gato galáctico
e pensa decifrar
o enigmático
ser gático.
No Café
O menino triste
me olha
como se eu fosse
quase um santo.
Não me pede nada,
mas me dói tanto:
o soco da
fome
na boca do estômago!
Cena
Hoje eu vi um menino
catando numa lata de lixo
um pedaço duro de pão.
Meu olhar úmido
de lata meu coração
e a mão do pequeno
me revolvendo por dentro
me provocando a náusea
da fome e suas causas.
Tive ímpeto da avançar
sobre o serzinho rabugento
e arrancar-lhe dos dedos
aquele resto sujo da minha indignidade!
(poema publicado na antologia poética Pedras de Minas - Poemas Gerais, p.144)
Musa
Essa mulher
deitou-se no poema
com sua aura de deusa
e seu corpo de fêmea
e foi possuída
por palavras hirtas
e metáforas tensas.
E sujeitou-se à pena
a musa indefesa.
(poema publicado na antologia poética Pedras de Minas - Poemas Gerais, p.230. Sofreu pequenas alterações nesta postagem)
Rebanho de Sonhos
Meu rebanho de sonhos
desce vales, sobe montanhas,
bebe brisas, come castanhas,
inventa sendas e sombras.
Meu rebanho de sonhos
feito brancas ovelhas
- lã de neve e luar -
lambe lumes de estrelas
e rumina tempo, devagar.
Meu rebanho de sonhos
segue aromas de amoras
e rumores de amores
nas redomas do sono.
Meu rebanho de sonhos
não sei para onde sai
nem sei de onde vem,
como nuvem se esvai
ao léu sob o véu do além.
(poema inédito em livro)
Confiança
A última casinha
no fim do arraial
abriga um velho sozinho
(os filhos se mudaram,
a mulher já lhe morreu).
Ele ficou ali
a olhar o caminho
para algum lugar.
Mas ainda cuida do tempo
que amadurece todo dia
em seu quintal
e sempre diz:
enquanto Deus for servido,
eu vou tocando a vida.
E diz isso confiante
com o olhar de quem sabe
para onde.
(poema inédito em livro)
Tecido
De que tecido
é feito o silêncio?
A solidão é seu tear.
Mas é tão frágil,
tão tênue, tão ralo,
que até uma simples ideia
se põe a rasgá-lo.
(Poema retirado da antologia poética Pedras de Minas - Poemas Gerais, p. 217)
Salve o Silêncio
Salve o silêncio!
Uma rosa vai se abrir
neste momento
em algum lugar
o perfume no ar.
Alienação
Eu quis ser marxista,
mas desisti
quando percebi
que pela política
o mundo não tem conserto.
Optei pela arte
e fui ao concerto de Mozart.
(Brasília, 14/12/2011)
mas desisti
quando percebi
que pela política
o mundo não tem conserto.
Optei pela arte
e fui ao concerto de Mozart.
(Brasília, 14/12/2011)
Assinar:
Postagens (Atom)